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Nota
importante: ambas a lendas que aqui apresento foram retiradas na
integra do livro: "Aguieira - Dão e Caramulo, Literatura
Oral da Nossa Região, Lendas - Volume I"
A Lenda do Juiz de Fora (uma das
versões)
«D.
Afonso IV determinou, por lei, que a justiça concelhia
não fosse atribuída aos juizes da terra, mas a um
juiz de nomeação régia.
Em Mortágua havia queixas contra um moço
de espora de D. Gil Fernandes, senhor de Carvalho e Cercosa, a
quem não era aplicada justiça por parte dos juizes
do concelho. Para atender as reclamações foi nomeado
um magistrado de Coimbra. Este não se eximiu a fazer cumprir
a lei: mandou prender o criado do fidalgo ao pelourinho, de modo
a ser vergastado.
Quando D. Gil tomou conhecimento do facto, esperou
o juiz no seu regresso a Coimbra. Agrediu-o, cortou-lhe as orelhas
e o nariz. Temendo a fúria persecutória do rei,
fugiu para Castela. Em 1340 participou, ao lado dos castelhanos,
na Batalha do Salado, contra os muçulmanos. Considerando
a sua participação nesse evento, o rei D. Afonso
IV perdoou-lhe a atitude e deixou-o regressar à pátria.»
A Lenda do Juiz de Fora (a outra
versão)
«Um
juiz de fora foi indicado para exercer justiça em Mortágua.
No entanto, abusou dos poderes que possuía. A população
não gostou.
Um dia tocou o sino a rebate. O povo aprisionou-o
conduzindo-o para além dos limites concelhios. Parece que
para o lado oposto do rio Cris. Nesse local foi assassinado com
recurso a alfaias agrícolas: forquilhas, sachos, etc.
O soberano tentou indagar da responsabilidade
no sentido de haver punição. O funcionário
régio encarregue da inquirição ia perguntando
aos moradores de Mortágua quem havia cometido o crime.
O povo, à pergunta: "quem matou o juiz?", respondia:
"Foi Mortágua".
Esta resposta espalhou-se pelo país, daí
ainda hoje se perguntar a alguém que nasceu neste município:
"quem matou o juiz?". Como nem sempre a questão
foi pacífica, podiam chover impropérios e agressões.»
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