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Nota importante: texto de Armando Lopes Simões, in Defesa da Beira, Nº 2898, 25/02/2000, p. 2
Abel de Matos Abreu
nasceu em Pala, Mortágua, no dia 4 de Junho de 1849 e
faleceu a 29 de Outubro de 1931. Licenciado em Direito pela
Universidade de Coimbra, foi Conservador do Registo Predial,
interino, e depois delegado em Anadia. Juiz de Direito em Baião,
Lousã, Cabeceiras de Basto, Póvoa de Varzim, Mangualde
e Viseu. Em 1900, é nomeado Juiz do Tribunal do Comércio
de Lisboa. Em 1909, Deputado às Cortes e Governador Civil
de Viseu. Juiz do Tribunal da Relação e Juiz Conselheiro
do Supremo Tribunal de Justiça. Membro do Conselho Superior
Judiciário.
Tomás
da Fonseca
nasceu na povoação de Laceiras, Freguesia de Pala
no dia 10 de Março de 1887. Frequentou no Seminário
de Coimbra o curso de Teologia, que acabou por abandonar. Evidenciou-se
desde novo, na propaganda republicana e foi uma das figuras
mais relevantes da campanha acidentada que precedeu à
implantação da República em 1910. Depois,
durante os primeiros tempos do Novo Regime, colaborou em todos
os grandes actos, especialmente nas reformas do campo de ensino,
desde o básico ao universitário; de polémico
publicista, foi ardoso defensor da causa da instrução
popular e uma das mais nobres figuras cívicas da história
da 1ª República. Foi jornalista, professor, poeta,
ensaísta e grande erudito. Em 12 de Fevereiro de 1968,
morre em Lisboa, depois de estar há já alguns
anos retido no leito, mas sem nunca alguém ter notado
"a sua fé ou o seu romantismo diminuído".
O seu busto, situado no largo fronteiro à Câmara
Municipal, perpetua a sua existência.
António
José Branquinho da Fonseca Filho do escritor
Tomás da Fonseca, nasceu em Mortágua a 4 de Maio
de 1905. Frequentou em Lisboa os primeiros anos do curso liceal.
Com 16 anos parte para Coimbra onde terminou os seus estudos
secundários e, matricula-se depois na Faculdade de Direito,
cujo curso completa em Julho de 1930. Participa, ainda estudante,
na fundação da revista "Triplico", de
que em 1924 e 1925 saíram 9 números. A sua colaboração
é muitas vezes subscrita por António Madeira,
pseudónimo que só abandonará em 1924. No
ano seguinte é provido no lugar de Conservador no Museu
Biblioteca Conde de Castro Guimarães - Cascais - e é
aí que trata de pôr em prática a primeira
experiência de bibliotecas itinerantes realizadas em Portugal.
José
Lopes de Oliveira nasceu na antiga rua do povo,
hoje denominada rua Dr. José Lopes de Oliveira, em Vale
de Açores, no ano de 1886. Na Universidade de Coimbra formou-se
em História. Fixou residência na Parede, concelho
de Cascais e leccionou no Liceu Passos Manuel, até ao limite
de idade. Era conhecido pelos seus alunos por "Pai Lopes",
de tal forma tratava quantos o rodeavam. Filho de gente humilde,
cedo teve que leccionar para fazer face às despesas. Seu
padrinho, pai do Prof. Tomás da Fonseca, vendo nele qualidades
de estudo e inteligência, muito o ajudou. Ainda jovem estudante
colaborou em jornais, revistas e panfletos, sendo considerado
pelo amor ao estudo e pela defesa que fazia dos seus ideais republicanos.
Assim se tornou um prosador forte, sugestivo e original, com qualidades
superiores de escritor. Foi convidado para Ministro do Governo
Provisório, mas por modéstia do seu temperamento
e formação recusou. Foi preso várias vezes.
Faleceu com 85 anos de idade.
José
Assis e Santos
nasceu em Vale de Remígio, Mortágua, a 14 de Março
de 1905 e faleceu a 7 de Dezembro de 1984. Licenciou-se em Medicina
na Universidade de Coimbra. Obras publicadas: Em 1940 - O Pelourinho
de Mortágua. Em 1949 - O Nacionalismo Português na
História Contemporânea. Em 1950 - Mortalácum
(Terra das Lagoas). Em 1960 - As Primeiras Navegações
Oceânicas.
João
Lopes Morais Conselheiro e Lente da Faculdade
de Medicina da Universidade de Coimbra. Nasceu na Gândara
em 6 de Novembro de 1783, falecendo em 29 de Novembro de 1868.
Os seus restos mortais encontram-se em túmulo, no cemitério
de Mortágua, depois de terem estado 36 anos no antigo cemitério
ao lado da Igreja Matriz. Filho de gente modesta, casou na Família
Tavares que estava nas mesmas condições. Aplicado
aos estudos científicos da saúde, licenciou-se muito
jovem com as invasões a decorrerem no nosso país.
Em 1820, comandava a 6ª Companhia de Regimento de Milícias
de Tondela, em Mortágua, o Cap. Almeida se Sousa de Vale
de Açores. Quando D. Miguel se pôs à frente
dos absolutistas, apareceu em Coimbra um cónego, Martins
Tavares que conseguiu tornar-se tesoureiro do bispado. Foi nesta
altura que se constituiu a Casa da Gândara, com terrenos
usurpados a vários rendeiros. Este cónego tinha
uma irmã casada com o Dr. João Lopes de Moraes e
um irmão imbecil, destituído de sentimentos a quem
fez subir ao posto de Cap. Mór, com muito escândalo
na época. Feito capitão-Mór, num tempo conflituoso,
com a tesouraria do Bispado na Família, boçal e
atrevido, ajustou contas com todos os que o desprezavam como cavador
ignorante. As suas brutalidades provocaram comentários
do seu cunhado Lopes de Morais, Doutor em Medicina e a mais cultivada
capacidade que havia então no nosso concelho. Por isso,
em 1828, provado o seu liberalismo, foi preso e conduzido às
masmorras de Almeida a abarrotar de "criminosos" do
mesmo delito, por ordem do seu cunhado Cap. - Mór. Em Mortágua
naquele tempo quem não era Miguelista tinha o mesmo destino
que o Dr. Lopes de Morais! O Lourenço do Coval da Família
de Francisco Cascão era então um homem de acção.
Como Presidente da Câmara, mandara construir os Paços
do Concelho e encarregara depois o Grifo de Vale de Açores,
de construir-lhe também uma casa ali perto. Ora o Grifo
aproveitou para a casa particular alguns materiais da cadeia.
Fora feita uma devassa e o Presidente foi preso para o Porto,
sendo mais tarde libertado. Assim que chegou a Mortágua,
os voluntários Miguelistas assaltaram-lhe a sua casa no
Coval e o Lourenço foi preso e muito ferido, amarrado e
conduzido ao Páteo da Gândara em Triunfo, tendo falecido
na prisão. Na altura o Dr. Lopes de Morais, foi uma providência
para os presos das masmorras atulhadas de Almeida, onde gozava
de muitas graças do Governador que com ele comia à
mesa. Mais tarde, banido em parte, o Miguelismo, foi permitido
ao Dr. João que viesse a Mortágua, mas ele não
aceitou, dizendo: - "Aqui estou melhor, livre de voluntários
de meu cunhado."
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